segunda-feira, 21 de janeiro de 2013


EU POSSO, TU PODES, ELE PODE

Tudo Pode é o primeiro álbum musical de uma banda cheia de gente. Reflete bem o que essa galera paulistana possui em suas entranhas: poesia e musicalidade á flor da pele.

Se me perguntarem qual o gênero de música, talvez tenha que dissertar sobre o tema. O disco não sugere um rótulo específico porque todos os gêneros lhe acompanham em todas as faixas. Como é dito em umas das músicas: “levar, trazer e no ar se abster, arte não é o que os olhos vêem, é como podem ver” e pros olhos dessa galera que Tudo Pode, “só não pode não poder”.

Esse álbum deveria ter sido chamado de eu posso, tu podes, ele pode. É um disco de arte-ajuda para a afirmação do eu. “... com gosto o gosto vem”, e quem tem o gosto? “... o amor pode ser nada, o amor tem que ser você”.

Todos os seres vivos deste planeta buscam a felicidade de alguma forma. O ser humano é mais complexo, mesmo que o amplexo seja um simples abraço. A tal felicidade se resume em cada segundo. Você disposto sempre. Cada pedacinho de você. Cada migalha sua, mas “... engrenada e pulsando por todos os lados e por todos os cantos”. Você livre com você, pra chorar, pra querer, pra voar “... como uirapuru, transcendendo esse inferno, nesse canto interno, nesse céu azul”, eu quero esse azul, eu vivo nesse azul, azul fumaça, azul poeira que não desanima, azul São Paulo, onde “... o próprio passo é a razão”. 

Eu posso? Tu podes? Ele pode?

Tudo pode

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Quebre a cabeça

No jeito de se ver ou, se vir, ver com vontade, existimos. Em um quebra-cabeça onde a busca com prazer, nos encaixes de tantas peças, leva ao cíclico e criativo feito de viver.
Não estamos pra julgar identidade ou inovação de quem quer que seja, entramos pra jogar a habilidade em satisfação com quem quer que queira, até porque, os gostos são muitos e limitá-los é incabível; assim como é incabível rotular. Qual a direção? Você já tem, vá buscar... O céu é o mesmo, mas o horizonte é singular. 
Naturalmente o quebra-cabeça da vida e, naturalmente, da música, completa-se e desmonta-se rapidamente com conteúdo e beleza. As amarras sempre existirão, mas também surgirão novas mãos habilidosas, novas mentes esperançosas. E, novamente, encontraremos questões. Mas qual a graça do resolvido sem o gosto de resolver?       Ta certo, talvez pudesse ser mais fácil às vezes, mas o que fazer? Talvez fazer apenas. Com esforço, perseverança, ou não, qual é a importância? O importante é você. O que importa bastante nesta breve transição é viver. Mas o que seria se não acordar, comer, andar, respirar, resolver, levar adiante ante o tempo infante que, no levante, logo o vemos distante? O que seria? A busca pelo melhor? Aceitar as diferenças de tantos que resumem-se em um só? O que é viver talvez não seja a pergunta, e sim, com o que viver. Presumo que com gosto. Com gosto o gosto vem, é simples assim. O que é viver? Não se privar do gosto que só cabe a mim. Existem duas possibilidades: eu acredito ou não acredito; e uma só resposta: eu tô certo.
“... I can’t get no satisfaction”? Por quê? Tudo pode, só não pode não poder.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

QUEBRA-CABEÇA



Ao falar de música, em músicas tantas nos ares miscigenados que desta terra ecoam... acabamos por tentar compará-la à de algum outro povo; não podemos. Logo sim, devemos (!) salientar características - sem modéstia alguma - únicas d’uma gente que lapida-se dia a dia por necessidade e faz da própria o seu tempero. Quente! Vivo e seu. Sim! Isto aqui nos deu a régua e o compasso, formando em cada giro e em cada traço, nossas (!) essas particularidades musicais incrivelmente ricas e especiais. Sonoridades, ritmos, arranjos, heterogeneidades que preenchem nosso ser antes mesmo de nascer. Se talvez pudéssemos do alto ouvir o canto desta terra... As palavras não mais seriam precisas. Perceberíamos que poetas, pedreiros, músicos, doutores, muitos, todos (!) unem-se a esta inquebrantável amálgama musical que orbita em nosso ar, na vastidão de tantos risos e prantos atirados no lirismo deste cotidiano. Reinventar a todo o momento é o jeito - brasileiro - de interpretar a vida, de interpretar a música, a arte; e diante deste fervilhão fortemente temperado, encontrar a diversidade sem ao menos procurar.
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Agora, seria possível conceber uma banda, preciosa na essência de suas idéias harmônicas e rítmicas, mas ao mesmo tempo, visceralmente apta a sentir e antropofagicamente vomitar o simples looping de três acordes? De trabalhar com autenticidade esta enorme diversidade sem parecer falso?
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A banda QUEBRA-CABEÇA com competência e compromisso apenas co’a verdade responderá a essas perguntas. Ouçam e tirem suas próprias conclusões.

Luam Morais

O meu é plural. É arte marginal.

Falam a respeito de muitas coisas, assim como escrevem.  Às vezes também escreve-se e fala-se nada, partindo do pressuposto que nada é apenas uma metade distinta, ou não, e complementar de que tudo pensam. Ação? Sim há! Inércia também. A palavra tem como rotunda exércitos inteiros... Pune, pune-se, mata, morre, escorre’ vive viva. Viva ela vive, livre, solta, viva! Antes que lhe roubem teu próprio peido. Morra seguindo o rótulo de algo que ainda é virgem, pra você, e acordará com outra voz, com outro corpo, até com quem sabe uma boceta se - por acaso do destino - homem for. Somos únicos seguindo veredas constantemente refeitas, às vezes até nem feitas, reluzindo nós mesmos. O que define arte? Beleza e questionamento? O que define um marginal? Estar à margem de quem? De quê? De quando? Essa é a pergunta: de quando? À margem da sociedade? De quando? Do pré-estabelecido? De seja lá quem for? Foi? Será? Serão?
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Sim! Pra quantos mais ouvirem. Sim! Pra todos que insistirem. Sim! Cretinos covardes; sou marginal, em busca do conflito paradoxal, à procura da eterna novidade existencial! Sim! É incabível rotular... O céu é o mesmo, mas o horizonte é singular.
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Seguir padrões é válido, não os seguir também. Temos todo o direito, sabendo da individualidade do ser. Da não interferência do viver. Fodam-se! Eunuquem-se! Mas não delimitem algo que nem sequer sabem se limite há (!)... que nem ao menos sabem se é preciso. Não imponham, nunca, um ponto final aonde - mais do que sugerir – talvez, clame por reticência. Querem seguir com gabaritos e modelos à busca de um tesouro singular? Ok, agora não venham meter o bedelho e seus copiados rastros em trilhas suadas e descobertas a cada teçadada. Sigam pelos rastros que quiserem, tomem atalhos, tomem até... vocês sabem onde.  Fodam-se! Acham que ta legal? São felizes assim? Eu, na real, acho que ta tudo a mesma merda. A intelectualidade poética, que lhe furta o facão, esqueceu da falta de árvores. Segue nessa mesma lengalenga de pedras falarem, rios tendo êxtases ao luar... A barriga do miserável num ritmo frenético e acelerado ronca - com cheiro de pólvora - ratátátá! Ratátátá! E vocês, democráticos do pensamento; nutrem-se de outra mão, herméticos a uma solução, masturbando-se em sangue. Ratátátá! Eu quero que se fodam. Todos vocês. É meu direito, ou esquerdo, não importa... é meu.
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Vulgaridade, pudor, radicalismo? Sim, sustentado pela raiz que amarga, e que mesmo amarga ainda é alimento. A poesia também é a saída. A aproximação também. Descer dos altares e cuspir no chão, jão, talvez seja uma solução mais verdadeira. Do que tens medo, da arte ou do marginal?
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A essência precede a existência, ou, a existência precede a essência?
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Arte: a luz de um único poste em uma rua deserta.
Marginal: um cartaz colado nesse mesmo poste onde se lê: vai se fuder!
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Arte: uma flor que sangra e agoniza em um copo de água na beira do criado mudo.
Marginal: preservativos; latas de cervejas vazias, bitucas de cigarro e garrafas de cachaça pelo chão da sala, contrastada pelo mofo, e pela flor.
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Arte: John Lennon e Paul Mccartney.
Marginal: Mick Jagger e Keith Richards.
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Arte: João Gilberto e Edu Lobo.
Marginal: Raul Seixas e Nelson Cavaquinho.
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Arte: Bossa Nova.
Marginal: Rock ‘n' Roll.
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Arte: Vaga-lumes multicores.
Marginal: Negros abutres.
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Arte: A elegante e apaixonada voz de Edith Piaf.
Marginal: A rouquidão gritante e desesperada de Janis Joplin.
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Hoje em dia a arte é tudo que é comercial e o que não, marginal. Plural nunca. Antropofágico jamais! O que você é com o que você pode ser. O que você vê com o que você pode ver: tudo que é possível é impossível não ser; há possibilidade em tudo. Impossibilidade é não querer. A arte não é o que os olhos vêem, mas como podem ver. 
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- Bailarinas tatuadas;
- Daise Tigrona e a Tati Quebra Barraco dissertando sobre Sartre;
- Monges fumando haxixe;
- Brasileiros com total acesso cultural;
- Um casal de punks apaixonados lendo Baudelaire;
- Hitler consultando Heine em seu criado mudo;
- O Papa coçando o saco;
- Franco declamando Lorca;
- QUEBRA-CABEÇA sem encaixes;
- Lobão transgredindo suas transgressões;
- Bola Morais contrariando Decadence Avec Elegance;
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Ou quem sabe possa ser os opostos e complementares... A filosofia Taoísta propõe a harmonia entre os opostos, para que haja fluxo... O negativo e o positivo, o mocinho e o bandido, o estúpido e sua vítima, o cozinheiro e o faminto, o que busca com o que têm. A arte e o marginal...
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Enfim, com todo o respeito, arte marginal também pode ser porra nenhuma, elevada ao quadrado da puta que pariu... Dependendo do ponto de vista.
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Luam Morais