quinta-feira, 21 de abril de 2011

O meu é plural. É arte marginal.

Falam a respeito de muitas coisas, assim como escrevem.  Às vezes também escreve-se e fala-se nada, partindo do pressuposto que nada é apenas uma metade distinta, ou não, e complementar de que tudo pensam. Ação? Sim há! Inércia também. A palavra tem como rotunda exércitos inteiros... Pune, pune-se, mata, morre, escorre’ vive viva. Viva ela vive, livre, solta, viva! Antes que lhe roubem teu próprio peido. Morra seguindo o rótulo de algo que ainda é virgem, pra você, e acordará com outra voz, com outro corpo, até com quem sabe uma boceta se - por acaso do destino - homem for. Somos únicos seguindo veredas constantemente refeitas, às vezes até nem feitas, reluzindo nós mesmos. O que define arte? Beleza e questionamento? O que define um marginal? Estar à margem de quem? De quê? De quando? Essa é a pergunta: de quando? À margem da sociedade? De quando? Do pré-estabelecido? De seja lá quem for? Foi? Será? Serão?
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Sim! Pra quantos mais ouvirem. Sim! Pra todos que insistirem. Sim! Cretinos covardes; sou marginal, em busca do conflito paradoxal, à procura da eterna novidade existencial! Sim! É incabível rotular... O céu é o mesmo, mas o horizonte é singular.
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Seguir padrões é válido, não os seguir também. Temos todo o direito, sabendo da individualidade do ser. Da não interferência do viver. Fodam-se! Eunuquem-se! Mas não delimitem algo que nem sequer sabem se limite há (!)... que nem ao menos sabem se é preciso. Não imponham, nunca, um ponto final aonde - mais do que sugerir – talvez, clame por reticência. Querem seguir com gabaritos e modelos à busca de um tesouro singular? Ok, agora não venham meter o bedelho e seus copiados rastros em trilhas suadas e descobertas a cada teçadada. Sigam pelos rastros que quiserem, tomem atalhos, tomem até... vocês sabem onde.  Fodam-se! Acham que ta legal? São felizes assim? Eu, na real, acho que ta tudo a mesma merda. A intelectualidade poética, que lhe furta o facão, esqueceu da falta de árvores. Segue nessa mesma lengalenga de pedras falarem, rios tendo êxtases ao luar... A barriga do miserável num ritmo frenético e acelerado ronca - com cheiro de pólvora - ratátátá! Ratátátá! E vocês, democráticos do pensamento; nutrem-se de outra mão, herméticos a uma solução, masturbando-se em sangue. Ratátátá! Eu quero que se fodam. Todos vocês. É meu direito, ou esquerdo, não importa... é meu.
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Vulgaridade, pudor, radicalismo? Sim, sustentado pela raiz que amarga, e que mesmo amarga ainda é alimento. A poesia também é a saída. A aproximação também. Descer dos altares e cuspir no chão, jão, talvez seja uma solução mais verdadeira. Do que tens medo, da arte ou do marginal?
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A essência precede a existência, ou, a existência precede a essência?
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Arte: a luz de um único poste em uma rua deserta.
Marginal: um cartaz colado nesse mesmo poste onde se lê: vai se fuder!
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Arte: uma flor que sangra e agoniza em um copo de água na beira do criado mudo.
Marginal: preservativos; latas de cervejas vazias, bitucas de cigarro e garrafas de cachaça pelo chão da sala, contrastada pelo mofo, e pela flor.
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Arte: John Lennon e Paul Mccartney.
Marginal: Mick Jagger e Keith Richards.
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Arte: João Gilberto e Edu Lobo.
Marginal: Raul Seixas e Nelson Cavaquinho.
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Arte: Bossa Nova.
Marginal: Rock ‘n' Roll.
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Arte: Vaga-lumes multicores.
Marginal: Negros abutres.
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Arte: A elegante e apaixonada voz de Edith Piaf.
Marginal: A rouquidão gritante e desesperada de Janis Joplin.
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Hoje em dia a arte é tudo que é comercial e o que não, marginal. Plural nunca. Antropofágico jamais! O que você é com o que você pode ser. O que você vê com o que você pode ver: tudo que é possível é impossível não ser; há possibilidade em tudo. Impossibilidade é não querer. A arte não é o que os olhos vêem, mas como podem ver. 
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- Bailarinas tatuadas;
- Daise Tigrona e a Tati Quebra Barraco dissertando sobre Sartre;
- Monges fumando haxixe;
- Brasileiros com total acesso cultural;
- Um casal de punks apaixonados lendo Baudelaire;
- Hitler consultando Heine em seu criado mudo;
- O Papa coçando o saco;
- Franco declamando Lorca;
- QUEBRA-CABEÇA sem encaixes;
- Lobão transgredindo suas transgressões;
- Bola Morais contrariando Decadence Avec Elegance;
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Ou quem sabe possa ser os opostos e complementares... A filosofia Taoísta propõe a harmonia entre os opostos, para que haja fluxo... O negativo e o positivo, o mocinho e o bandido, o estúpido e sua vítima, o cozinheiro e o faminto, o que busca com o que têm. A arte e o marginal...
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Enfim, com todo o respeito, arte marginal também pode ser porra nenhuma, elevada ao quadrado da puta que pariu... Dependendo do ponto de vista.
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Luam Morais

 


3 comentários:

  1. Nós fazemos os lances - o tempo bate o martelo - quem viver lerá - nas estrelinhas de tantas palavras
    Um singular - completamente plural - à margem do que possa parecer a lenta digestão - de toda essa antropofagia.
    (:)

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  2. "Queridissimo Luam:
    ventos passam e carregam a gente lá e cá, mas sempre estamos "aí", onde o ovo frita e o tiro acerta. Quanto ao teu lindo e poético texto, nada escreverei de mim: deixa um outro, que era nosso, que teu pai amava assim como eu e que os ventos carregaram para longe de onde estivémos...Mas os verões foram bons, vocês verão.
    .
    Quanto a Albertinho Lira (assim o chamávamos), a vida nunca foi muito caridosa com os tres; estivémos algumas vezes entornando canecas ali pelos lados da maria antônia mas os rumos insistiam em não nos fazer juntos...a vida, meu querido, é covarde, pois sabia que em todos os encontros que tivémos e que tivéssemos, algum lado podre da vida ia ser enterrado.
    .
    Albertinho herdou a coragem do pai, vizinho do seu pai, protetor dos "loucos e comprimidos" e a quantos o Dr. Alberto Lira não atestou loucura para que sumissem das botas opressoras de uma nefasta ditadura que o meu tempo de vida, descaradamente me enfiou goela abaixo.
    Minha resposta para o seu texto, fora o já dito, aí vai, na boca navilouca de sérgio sampaio:"
    .
    “Dançou na transação dormindo
    E como eu fui o tal velho bandido
    Vou ficar matando rato pra comer
    Dançando rock pra viver
    Fazendo samba pra vender... sorrindo /.../
    .
    tudo cruel tudo sistema
    torre babel falso dilema
    é uma dor que não esconde seu papel
    morro borel
    eu subo e nunca estou no céu
    .
    tudo joão nada na mesa
    deu no jornal mãos na cabeça
    um marginal que já não pode mais fugir
    vai reagir
    menino é bom ficar de olho ai
    .
    que tudo é desse mundo
    surpresa também
    espinho é bem mais fundo
    destino também
    o amor tá quase mudo
    minha voz também
    cruel é isso tudo
    .
    tudo tão mal tão sem beleza
    doce de sal lagrima presa
    o que eles falam não se deve nem ouvir
    verbo mentir
    .
    menino é bom ficar de olho ai”
    .
    "você disse e assim falou zaratustra...
    .
    beijo man(o)eiro, Lp" por Luiz Puech

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  3. "Hermano Luam, hijo de Bola Morais, amigo de vida inteira de Albertinho Lyra.
    .
    Você sabe que eu sou canhoto — e seu texto esquerdo tem tudo a ver com o que penso e faço da minha vida. Logo, tomo-o como meu tb, como se fosse um tapete tecido por seis mãos: do Bola, minhas e suas.
    .
    Gran abrazo
    de
    aly" por Albertinho Lyra

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