quarta-feira, 8 de junho de 2011

Quebre a cabeça

No jeito de se ver ou, se vir, ver com vontade, existimos. Em um quebra-cabeça onde a busca com prazer, nos encaixes de tantas peças, leva ao cíclico e criativo feito de viver.
Não estamos pra julgar identidade ou inovação de quem quer que seja, entramos pra jogar a habilidade em satisfação com quem quer que queira, até porque, os gostos são muitos e limitá-los é incabível; assim como é incabível rotular. Qual a direção? Você já tem, vá buscar... O céu é o mesmo, mas o horizonte é singular. 
Naturalmente o quebra-cabeça da vida e, naturalmente, da música, completa-se e desmonta-se rapidamente com conteúdo e beleza. As amarras sempre existirão, mas também surgirão novas mãos habilidosas, novas mentes esperançosas. E, novamente, encontraremos questões. Mas qual a graça do resolvido sem o gosto de resolver?       Ta certo, talvez pudesse ser mais fácil às vezes, mas o que fazer? Talvez fazer apenas. Com esforço, perseverança, ou não, qual é a importância? O importante é você. O que importa bastante nesta breve transição é viver. Mas o que seria se não acordar, comer, andar, respirar, resolver, levar adiante ante o tempo infante que, no levante, logo o vemos distante? O que seria? A busca pelo melhor? Aceitar as diferenças de tantos que resumem-se em um só? O que é viver talvez não seja a pergunta, e sim, com o que viver. Presumo que com gosto. Com gosto o gosto vem, é simples assim. O que é viver? Não se privar do gosto que só cabe a mim. Existem duas possibilidades: eu acredito ou não acredito; e uma só resposta: eu tô certo.
“... I can’t get no satisfaction”? Por quê? Tudo pode, só não pode não poder.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

QUEBRA-CABEÇA



Ao falar de música, em músicas tantas nos ares miscigenados que desta terra ecoam... acabamos por tentar compará-la à de algum outro povo; não podemos. Logo sim, devemos (!) salientar características - sem modéstia alguma - únicas d’uma gente que lapida-se dia a dia por necessidade e faz da própria o seu tempero. Quente! Vivo e seu. Sim! Isto aqui nos deu a régua e o compasso, formando em cada giro e em cada traço, nossas (!) essas particularidades musicais incrivelmente ricas e especiais. Sonoridades, ritmos, arranjos, heterogeneidades que preenchem nosso ser antes mesmo de nascer. Se talvez pudéssemos do alto ouvir o canto desta terra... As palavras não mais seriam precisas. Perceberíamos que poetas, pedreiros, músicos, doutores, muitos, todos (!) unem-se a esta inquebrantável amálgama musical que orbita em nosso ar, na vastidão de tantos risos e prantos atirados no lirismo deste cotidiano. Reinventar a todo o momento é o jeito - brasileiro - de interpretar a vida, de interpretar a música, a arte; e diante deste fervilhão fortemente temperado, encontrar a diversidade sem ao menos procurar.
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Agora, seria possível conceber uma banda, preciosa na essência de suas idéias harmônicas e rítmicas, mas ao mesmo tempo, visceralmente apta a sentir e antropofagicamente vomitar o simples looping de três acordes? De trabalhar com autenticidade esta enorme diversidade sem parecer falso?
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A banda QUEBRA-CABEÇA com competência e compromisso apenas co’a verdade responderá a essas perguntas. Ouçam e tirem suas próprias conclusões.

Luam Morais

O meu é plural. É arte marginal.

Falam a respeito de muitas coisas, assim como escrevem.  Às vezes também escreve-se e fala-se nada, partindo do pressuposto que nada é apenas uma metade distinta, ou não, e complementar de que tudo pensam. Ação? Sim há! Inércia também. A palavra tem como rotunda exércitos inteiros... Pune, pune-se, mata, morre, escorre’ vive viva. Viva ela vive, livre, solta, viva! Antes que lhe roubem teu próprio peido. Morra seguindo o rótulo de algo que ainda é virgem, pra você, e acordará com outra voz, com outro corpo, até com quem sabe uma boceta se - por acaso do destino - homem for. Somos únicos seguindo veredas constantemente refeitas, às vezes até nem feitas, reluzindo nós mesmos. O que define arte? Beleza e questionamento? O que define um marginal? Estar à margem de quem? De quê? De quando? Essa é a pergunta: de quando? À margem da sociedade? De quando? Do pré-estabelecido? De seja lá quem for? Foi? Será? Serão?
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Sim! Pra quantos mais ouvirem. Sim! Pra todos que insistirem. Sim! Cretinos covardes; sou marginal, em busca do conflito paradoxal, à procura da eterna novidade existencial! Sim! É incabível rotular... O céu é o mesmo, mas o horizonte é singular.
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Seguir padrões é válido, não os seguir também. Temos todo o direito, sabendo da individualidade do ser. Da não interferência do viver. Fodam-se! Eunuquem-se! Mas não delimitem algo que nem sequer sabem se limite há (!)... que nem ao menos sabem se é preciso. Não imponham, nunca, um ponto final aonde - mais do que sugerir – talvez, clame por reticência. Querem seguir com gabaritos e modelos à busca de um tesouro singular? Ok, agora não venham meter o bedelho e seus copiados rastros em trilhas suadas e descobertas a cada teçadada. Sigam pelos rastros que quiserem, tomem atalhos, tomem até... vocês sabem onde.  Fodam-se! Acham que ta legal? São felizes assim? Eu, na real, acho que ta tudo a mesma merda. A intelectualidade poética, que lhe furta o facão, esqueceu da falta de árvores. Segue nessa mesma lengalenga de pedras falarem, rios tendo êxtases ao luar... A barriga do miserável num ritmo frenético e acelerado ronca - com cheiro de pólvora - ratátátá! Ratátátá! E vocês, democráticos do pensamento; nutrem-se de outra mão, herméticos a uma solução, masturbando-se em sangue. Ratátátá! Eu quero que se fodam. Todos vocês. É meu direito, ou esquerdo, não importa... é meu.
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Vulgaridade, pudor, radicalismo? Sim, sustentado pela raiz que amarga, e que mesmo amarga ainda é alimento. A poesia também é a saída. A aproximação também. Descer dos altares e cuspir no chão, jão, talvez seja uma solução mais verdadeira. Do que tens medo, da arte ou do marginal?
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A essência precede a existência, ou, a existência precede a essência?
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Arte: a luz de um único poste em uma rua deserta.
Marginal: um cartaz colado nesse mesmo poste onde se lê: vai se fuder!
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Arte: uma flor que sangra e agoniza em um copo de água na beira do criado mudo.
Marginal: preservativos; latas de cervejas vazias, bitucas de cigarro e garrafas de cachaça pelo chão da sala, contrastada pelo mofo, e pela flor.
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Arte: John Lennon e Paul Mccartney.
Marginal: Mick Jagger e Keith Richards.
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Arte: João Gilberto e Edu Lobo.
Marginal: Raul Seixas e Nelson Cavaquinho.
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Arte: Bossa Nova.
Marginal: Rock ‘n' Roll.
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Arte: Vaga-lumes multicores.
Marginal: Negros abutres.
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Arte: A elegante e apaixonada voz de Edith Piaf.
Marginal: A rouquidão gritante e desesperada de Janis Joplin.
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Hoje em dia a arte é tudo que é comercial e o que não, marginal. Plural nunca. Antropofágico jamais! O que você é com o que você pode ser. O que você vê com o que você pode ver: tudo que é possível é impossível não ser; há possibilidade em tudo. Impossibilidade é não querer. A arte não é o que os olhos vêem, mas como podem ver. 
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- Bailarinas tatuadas;
- Daise Tigrona e a Tati Quebra Barraco dissertando sobre Sartre;
- Monges fumando haxixe;
- Brasileiros com total acesso cultural;
- Um casal de punks apaixonados lendo Baudelaire;
- Hitler consultando Heine em seu criado mudo;
- O Papa coçando o saco;
- Franco declamando Lorca;
- QUEBRA-CABEÇA sem encaixes;
- Lobão transgredindo suas transgressões;
- Bola Morais contrariando Decadence Avec Elegance;
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Ou quem sabe possa ser os opostos e complementares... A filosofia Taoísta propõe a harmonia entre os opostos, para que haja fluxo... O negativo e o positivo, o mocinho e o bandido, o estúpido e sua vítima, o cozinheiro e o faminto, o que busca com o que têm. A arte e o marginal...
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Enfim, com todo o respeito, arte marginal também pode ser porra nenhuma, elevada ao quadrado da puta que pariu... Dependendo do ponto de vista.
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Luam Morais